Carreata no Morumbi pede vigilância na favela para maior segurança

Neste domingo (23), moradores do bairro Morumbi, na zona sul de São Paulo, fizeram um ato para reivindicar mais segurança na região. Organizado pelo grupo SOS Morumbi, a manifestação aconteceu após um homem – André Ribas – de 40 anos ter sido baleado e morto em frente ao shopping Jardim Sul, no dia 14 deste mês. Além disso, desde 2013, têm sido frequentes os casos de sequestro relâmpago e arrastões: de janeiro a outubro de 2013 foram registrados 2.317 roubos, segundo a Secretaria de Segurança Pública.

O protesto começou com uma homenagem ao falecido. Os membros do grupo SOS Morumbi também leram uma lista de revindicações para serem entregues ao governador do estado, Geraldo Alckmin: mais viaturas, reaparelhamento das bases comunitárias da polícia, reativação da ROCAM (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas), abordar com mais frequência todas as motos com dois passageiros, mapear e vigiar as 27 saídas da comunidade de Paraisópolis, entre outras. 

Foto: Camila Alvarenga
(Foto: Camila Alvarenga)

É claro que eu fiquei um pouco em choque com esses pedidos. Quando falaram em vigiar as 27 saídas de Paraisópolis, ouvi uma mulher ao meu lado dizer para a outra: “Meu Deus, que absurdo! Olha quanta saída!”, como se fosse ilógico os moradores da comunidade quererem sair de lá a hora que quisessem e por qualquer motivo que fosse. 

Ao mesmo tempo, eu não posso dizer que não é legítima a dor das pessoas que perderam alguém ou passaram por algum trauma por causa da violência, também não posso dizer que essa dor é menor do que aquela sentida pelas famílias que perderam seus entes queridos na chacina de Osasco. Tampouco posso afirmar que o pedido por mais segurança é sem sentido. No entanto, não é por meio do preconceito (porque querer vigiar as entradas/saídas de Paraisópolis e parar todas motocicletas é preconceito, sim) que isso será resolvido. A polícia também não é a solução para todos os nossos problemas…esquecem-se de que a PM brasileira é uma das que mais mata no mundo. Mas imagino que os moradores do Morumbi, brancos, abastados (não me excluo desse grupo) não tenham que se preocupar com isso. 

Temo que um protesto desses indique, justamente, que a população branca e rica quer mais chacinas, porém legalizadas. Não querem que a polícia tenha que esconder a cara para matar. Afinal, ir à periferia assassinar pobres, geralmente negros, é – nos olhos de muitas delas – um serviço à comunidade. 

E foi dentro do conforto de seus carros com ar condicionado que os moradores do bairro foram buzinando, numa espécie de panelaço móvel, por melhores políticas de segurança pública. 

Precisamos mesmo de melhorias nas políticas de segurança pública, porém não aquelas propostas hoje. 

Membros do grupo SOS Morumbi lendo as revindicações para o governador. Estão todos de preto para indicar luto. (Foto: Camila Alvarenga)
Membros do grupo SOS Morumbi lendo as revindicações para o governador. Estão todos de preto para indicar luto. (Foto: Camila Alvarenga)
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